Ela não fazia ideia do que fazer a respeito de suas dúvidas sobre a vida, ela se debruçou sobre a cama e pensou “Eu deveria apenas caminhar e enfrentar, a vida vai me levar pra algum lugar”, e seguir esse pensamento foi a única ideia possível. Os dias passavam e os problemas só aumentavam. Talvez ela devesse dividir-se em milhões para solucionar separadamente cada problema, só que isso não seria possível.
Como enfrentar a dor de gostar de alguém sem ser correspondida? Ela não fazia ideia do que fazer e conforme os dias passavam a dor só crescia dentro de si, a ponto de mastigá-la e ainda seria necessário esconder isso de todos, exceto de seu travesseiro, o qual já estava mais pra balde, de tantas lágrimas que armazenara. Eles estavam na mesma sala, e pra ela era um sacrifício ir à escola com todos os acontecimentos recentes. Ele era alto, corpo bem definido, olhos verdes, cabelo castanho, metido do nariz empinado, mas cavalheiro. E todas essas características só faziam-na gostar mais dele. Numa simples terça-feira nublada, todos cheios de agasalhos e tentando ficar o mais próximo possível, ele percebeu que ela fora a única que ficara de fora da roda, mas tentou não dar tanta importância pra isso. Já ela, encostou-se ao canto da sala e não pôde conter algumas lágrimas que por menores que fossem, eram notáveis. E ao ser interrogada pelo professor de filosofia, saiu correndo da sala de aula, sem entender nada o professor perguntou à sala se alguém sabia o que estava ocorrendo com ela, e ele, o menino mais idiota e fofo do mundo respondeu “Eu acho que eu sei, mas é um tanto pessoal demais, eu imagino o que ela sente. Eu posso ir atrás dela?” e sem mais delongas o professor concedeu a liberdade ao garoto para sair de sala. Foi o gesto mais bonito e romântico que ela recebeu em toda a sua vida, até agora.
Ela estava sentada debaixo da escada do terceiro piso, sem luz alguma e muito temor. Ele chegou lá, sentou ao lado dela, e sem dizer palavra nenhuma, abraçou-a forte. Por um momento ela parou de chorar e ficou imóvel, sendo abraçada.
- Como sabia que eu estava aqui?
- Eu já passei por isso, esse é o melhor do mundo quando se quer fugir dos problemas e ficar sozinho.
- Por que veio atrás de mim?
- Porque eu não quero te ver assim, é dor de amor e é horrível, mas passa.
- Nunca vai passar – ela olhou pra ele, repreendendo-o.
- Acredite por quem quer que seja, vai passar.
- Eu o vejo todos os dias e o jeito dele me atraiu, mas ao mesmo tempo me enoja, ele é mesquinho e carinhoso, bobo e cavalheiro, ele é muito pra mim, só que meu coração não quer entender isso.
- Eu já gostei de meninas piores – ele riu e abraçou-a.
- É, mas você superou isso em menos de alguns meses. Faz 5 anos que eu não consigo retirar isso de dentro de mim, faz 5 anos que eu não como sem ser forçada, faz 5 anos que eu estou na média escolar, eu não era assim antes, na verdade, eu nem me lembro como eu era.
- Nossa, esse garoto deve ser um ridículo.
- Se olhe no espelho e diga-me você mesmo.
- Você só pode estar de brincadeira né?
- Não, estou pela primeira vez na minha vida contando isso à alguém sem ser o meu travesseiro. Nunca me senti tão bem assim.
- Vo-vo-vo-cê gosta de mim? – ele se espantou e arregalou os olhos.
- É, infelizmente sim.
- Mas 5 anos é muito tempo.
- Eu também acho, eu sofri muito.
- Me desculpe, eu preciso ir agora, o professor deve estar preocupado, não demore pra voltar.
Ele se levantou e ela o puxou de volta, levantaram-se juntos e ao ir caminhando, ainda por debaixo dos degraus, ela o puxou de volta, e lhe selou um beijo rápido, mas terno.
- A gente nunca mais vai se encontrar, você não vai nem ouvir o meu nome.
Ele seguiu em frente e não respondeu, talvez isso tivesse um significado maior para ele.
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