
Sentada no canto do cômodo, com a luz apagada e o breu contendo sua alma, seu rosto estava quente e avermelhado, entretanto, suas mãos estavam frias e soadas, o lápis que ainda restava em seus olhos, estava borrado, seu cabelo estava desarrumado e seu moletom, molhado pelas lágrimas salgadas que nele respingavam, estava abraçando suas pernas, tentando esconder um pedaço de seu rosto.
Um pedaço de seu coração estava partido, e o outro nem existia mais, era como se ele fosse um papel de seda, muito fino e delicado, qualquer movimento brusco ou uma ação descuidada o rasgaria, é como ela sentia seu coração, rasgado ao meio.
Dentro de seus olhos era possível enxergar sua alma, vazia e solitária, pedindo socorro. Seu corpo estava fraco, ela não comera a dias, seus pais nem se importavam, pensavam que aquilo era completamente normal pros seus atuais quinze anos.
Nem ela mesma sabia que poderia sofrer tanto por alguém, como estava sofrendo, era simplesmente desencorajador pra si mesma, ela não tinha vontade de nada, à não ser chorar. Seu coração queria gritar, queria parar, mas não podia.
O dia sempre acabava com o por do sol e a rotineira manhã na escola, e a tarde o mesmo canto, os mesmos pensamentos, a mesma cena, e isso se repetia ao longo do ano, sem fim. Era seu inferno particular, devia admitir.
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