14 de nov. de 2010

longa onda de calmaria

Uma grande lucidez estabeleceu-se sobre mim, o ar sereno continuava a rodopiar entre meus braços e eu pude sentir um leve arrepio. As coisas pareciam ficar cada vez mais belas quando eu pude notar que meus dentes estavam à mostra – num sorriso.

Seus olhos castanhos arredondados brilhavam mais que a lua atrás de seu corpo, e eu podia sentir seu peitoral encostar-se a mim, definido, porém delicado, algo que realmente me encantava demais. Seus traços genuínos me traziam uma longa onda de calmaria e paz interior, me fazendo desejar que aquilo durasse para sempre. O jeito como ele olhava e acariciava meu rosto e depois como ele selava seus lábios finos e quentes aos meus, o jeito como ele sentava, ou como ele passava os braços em torno da minha cintura, só pra me fazer me sentir segura. Todos esses e mais um milhões de pontos me faziam acreditar que aquilo não podia acabar, o meu amor só crescia e ao mesmo tempo, me fazia odiar a situação.

Amar incontrolavelmente alguém, no meu caso, era um problema. Eu sou leviana, me deixo levar facilmente e geralmente isso acaba em mágoa e coração partido, básico, meu. Mas agora eu estava transbordando e deixando transparecer, pra quem quisesse ver, que eu poderia morrer de felicidade. Todos os meus dias com ele eram completamente bons, agradáveis e conforme eles passavam, eu me sentia mais completa.

Não sei como vai ser daqui pra frente, mas vai ser bom, sem mágoas e máscaras.

3 de nov. de 2010

não demonstrava exibicionismo

Todas as luzes ofuscavam sobre meus olhos, tudo o que eu podia enxergar era uma grande multidão de pessoas muito próxima de mim, todas as meninas remexiam o quadril muito bem, umas melhores, mas todas faziam. Os meninos iam à busca da que parecesse mais “fácil” de se conquistar, e elas tinham certeza que sairiam dali beijado pelo menos, uma boca. Entretanto eu não era como todas as outras, eu estava ali por um sutil motivo, tentar não adentrar ainda mais fundo na minha tristeza inesgotável. Minhas amigas sempre me arrastaram pra todos os cantos possíveis, embora eu não fosse muito do tipo que adora sair, como elas, eu sempre fui a mais recata, ou melhor, a menos sociável, eu nunca fora a primeira a fazer novas amizades, tampouco a de escolher qual seria o programa do final de semana, eu simplesmente era avisada, e o combinado estava pronto, o fds esquematizado e elas esperavam ansiosamente para que chegasse, ao contrário da minha pessoa.

Naquela noite os rapazes pareciam realmente atraentes, principalmente aqueles que não devoravam as garotas com os próprios olhos, e sim os que procuravam se movimentar em um canto, juntos, sem mais. Havia um em especial, com o cabelo castanho claro e os olhos bem escuros, pelo o que a luz me possibilitava ver. Ele se vestia adequadamente ao clima e não demonstrava exibicionismo -o que eu mais odeio em garotos- e parecia ser completamente educado, pelo menos ao longe.

As meninas, sem motivo, começaram a se aproximar da roda onde eles se encontravam, e eu pude ver com mais clareza seus traços finos, e extremamente bonitos. Por uma pequena fração de segundos nossos olhares se cruzarem horizontalmente, e eu pude ver que ele notara meus lábios, pois pelo pouco tempo em que nos olhávamos, eu pude perceber que ele não retirou seus olhos quase esverdeados do batom A45 que eu havia encomendado recentemente.

As luzes mudavam seu curso ligeiramente e se cruzem zilhões de vezes no mesmo lugar, preenchendo um percurso um tanto cansativo pra quem as enxergava. Ele parecia copiar meus gestos, e para ter certeza, resolvi mudar meu jeito de parar, só pra checar, e pude realmente confirmar, ele estava me copiando. O que me fez rir graciosamente pra ele, e levar meus dedos a frente de meus lábios, sem encostar, é claro. Ele fez igual. E quando uma brisa leve passara por entre minhas pernas – quase nuas – preenchidas por apenas uma saia alta nude, e o meu salto cambalear um pouco com o apoio recente que encontrei para minhas pernas, ele estava parado ao meu lado. Exibindo seus dentes brancos e perfeitamente alinhados dentro de sua boca carnuda e devo confessar, sexy.

Não sei exatamente porque eu me encontrava no canto oposto de onde eu estava anteriormente, mas eu sabia que algum instinto, ou um impulso maior, vindo de dentro do meu coração, me deu a insensata certeza de que eu poderia confiar nele, e segundos após aqueles, eu estava de pé, dividida por suas pernas, próxima demais aos seus lábios para poder resistir, e nós nos beijávamos, encantadoramente.

24 de out. de 2010

realidade versus sonho

Eu o olhava nos olhos, verdes, límpidos e atraentes, e podia ter a total certeza de que ele era meu. Só de sentir sua mão macia tocar a minha e sua pulsação sobre a minha, o cheiro que seu corpo exalava, os traços perfeitamente desenhados de seu rosto, todos essas pequenas características me diziam todos os dias que eu poderia manter a calma, pois ele era apenas meu.

Entretanto todos sabemos que todas as certezas da vida têm um pouco de dúvida dentro de si, e essa não seria diferente. Mesmo confiando plenamente nele, sabendo que tudo era perfeito e que eu jamais lhe dei motivo para não gostar de mim ou não me querer mais, eu simplesmente não sei, mas só quando todas as luzes se apagaram, que eu vi como era ruim não enxergar.

Eu estava cega de amor, meu coração bloqueava meus olhos para fugir da realidade e por isso, eu só enxergava o que era realmente agradável, nada menos convincente não? Porém, a verdade não era nem um pouco próxima do que meus olhos me mostravam, o oposto, era cruelmente diferente e me derrubou em uma fração de segundos. O que eu via era lindo e colorido, havia eu e ele bem, sem brigas em todos os episódios, sem exceção. Infelizmente o que acontecia na realidade era cruel, um caos. Várias brigas horríveis e tensas, o meu coração se rachava mais a cada segundo, e as flores morriam ao meu redor, a energia que havia perto de nós era tão negativa que fazia tudo despencar ao meu lado.

Quando pude realmente ver o que acontecia – e não só sonhar com o que eu queria que acontecesse – eu vi que não havia nem um pouco de certeza em mim, ele não era meu. Aquele cabelo castanho claro, as feições perfeitamente desenhadas, o lábio em formato do meu coração - despedaçado -, os olhos verdes, o corpo esculpido por músculos e toda aquela estrutura torneada irresistível, o toque macio, as palavras doces e o jeito inconfundível e romântico de ser, nada disso me pertencia, e por um lado, me fazia muito bem saber disso.

As noites românticas demais e a falta de atitude eram mentira, os beijos mais ou menos não seguiam aquele padrão, o cheiro não era sempre o mesmo, as roupas que se adequavam exatamente ao jeito que eu queria sumiram. Por incrível que pareça, eu me apaixonei de verdade, mas não por aquele menino construído nos meus sonhos desde pequena, e sim pelo real e defeituoso, aquele que realmente me daria prazer em amá-lo, novamente, mesmo que ele não soubesse.

23 de set. de 2010

ia ficar tudo bem

Nunca pensei que seria uma tamanha desgraça acordar pro primeiro dia de aula sem aquele ânimo natural, por quê? Eu não estava com vontade alguma de me levantar, ou imaginar em como seriam as primeiras aulas ou quem estaria em minha sala. Meus olhares baixaram, senti minha cabeça pesar, olhei minhas mãos e vi a aliança em meu dedo, aquela que simbolizava mais de um ano e alguns meses, aquela a qual me deixava com uma dor quase fatal no peito – eu não estava brincando em relação à isso, realmente doía – e enquanto os minutos passavam e meu corpo ainda estava despejado pela cama, meus pais preparavam o café, e gritavam pelo meu nome, o qual era possível ouvir na imensidão do meu quarto, silencioso.

Infelizmente tive de ir à escola, meus pais não eram do tipo que não se importariam se eu continuasse na cama pelo resto do dia, acreditem, eles eram bem tradicionais. Lá eu estava parecendo uma estrangeira no meio de todos os nacionais, foi terrivelmente horrível, eu não sabia quais palavras soltar, quais atitudes tomar, era como se eu fosse dar meu primeiro beijo, nervosismo tipo esse.

O resto da manhã foi exatamente igual ao começo, apresentações, alunos, professores, planos de aula, salas, e extras, um exacerbado blábláblá, eu só queria estar em minha cama, pois era a única coisa que me ocupava, e não me deixava chorar – pelo menos que eu saiba – e naquele exato momento, eles estariam todos juntos, sentados bem perto, grudados, felizes e dando altas risadas, e eu, eu estou sentada na carteira do fundo, uma das ultimas, encostada na parede, com o rosto apoiado em minhas mãos, fingindo se preocupar com a fala do professor de Português, ou então parecer estar feliz.

No fim do dia, as aulas finalmente acabaram, e eu havia chego a casa pra minha pequena alegria, pelo menos não teria de fingir coisa alguma. Peguei meu celular, fui à lista de contatos e selecionei seu nome, o que não era necessário, eu havia o numero dele décor, mas queria lê-lo, continuamente, chamei. Tocou, tocou e tocou várias e repetidas vezes, mas não fui atendida, uma angustia me batera sob todo o meu corpo, começara em minha cabeça, ficava mais intensa ao redor do coração e descia até minhas pernas, as deixando bambas. Liguei mais uma vez, esperei até dar caixa postal, novamente. No começo me magoei bastante por ver que ele não me atendera, justo naquela hora, aquele dia e esse momento, mas depois comecei a pensar na possibilidade do celular estar no silencioso, ou estar dentro da mochila, zilhões de ideias passaram em minha mente para tentar tirar a de ele não me atender, simplesmente por não querer.

Dormi praticamente a tarde toda, quando acordei tomei um banho relaxante e aproveitei que a casa estava vazia ainda e liguei o som num volume razoavelmente alto, talvez meu vizinho reclamasse depois. Ao sair do banho, chequei meu celular – como sempre fazia – e vi que havia três ligações perdidas, abri a lista e eram dele, fiquei feliz por um instante, mas depois me lembrei da hipótese dele não ter me atendido por simples vontade. Não fazia muito tempo que ele havia ligado, então esperei que ligasse novamente, não tive coragem de retornar, estava meio abalada ainda.

Não demorou muito a tocar novamente, o toque dele era especial, era diferente dos demais, “Airplanes”, atendi e sua voz parecia estável e serena, feliz, o oposto da minha.

- Oi amor! – ele provavelmente estava sorrindo nesse momento

- Oi vida! – tentei parecer normal, pra não preocupá-lo

- Como foi seu dia na escola nova?

- Péssimo, é claro! – usei um tom mais agressivo, queria mostrar que não estava tudo bem – Como poderia ser bom se eu não conhecia ninguém, se ninguém se preocupar em me chamar para os grupos ou ao menos pro intervalo? Ou talvez de eu ligar desesperada e triste pro meu namorado na hora do almoço e ter a chamada, provavelmente, rejeitada. Parece-me que seu dia foi ótimo não é mesmo?

- Nossa amor, eu te ligo e só recebo patada, e olha que é o primeiro dia, imagina se não fosse! Me desculpa, eu deixei meu celular na mochila, dentro da escola. Me perdoa amorzinho. – ele usou aquele tom de bebê que me fazia derreter normalmente, mas senti um ar ruim por trás da próxima fala dele.

- Tudo bem, mas por que você deixou o celular lá? Você nunca desgruda dele.

- Ah pois é, eu esqueci lá e acabei nem voltando pra pegar, logo eu estaria com ele de novo, então não me preocupei. Eu fui almoçar com as meninas no Mc Donalds.

- Como é que é? Minha mãe chegou, é melhor eu ir pra lá. Tchau, boa noite. – desliguei incontrolavelmente na cara dele e me remoí de raiva por dentro, chegou até a queimar. Deitei-me mais cedo, não tive cara nem fome para descer para o jantar, era como se tudo perdesse o sentido.

Parecia que havia alguma barreira recente entre nós, algo novo, que doía muito, era quase invisível, mas eu podia sentir. Passei a refletir por um instante, antes de tentar pegar no sono. Minha cama parecia ser tão confortante quanto um abraço naquele momento, era quente e macia, não me diria coisas ruins e não sairia dali jamais, não me abandonaria. Meu pijama já estava com a aparência amassada e meu cabelo estava molhado ainda (lê-se bagunçado). A luz da minha luminária era a única coisa que me dava à certeza de “estar” tudo bem, pelo menos ali dentro, do quarto é claro.

Por que tinha de doer tanto a distância que nos separava? Era extremamente incalculável e doentia a forma como eu te amava, e às vezes eu não sentia firmeza, não sentia nem retribuição. O que piorava tudo dentro de mim era o fato de antes ele dizer que ia ficar tudo bem.

7 de set. de 2010

(inter)câmbio

Eu estava com a cabeça recostada sobre seu ombro, subsumindo ao nosso abraço caloroso e nossa troca de olhares turvos. Fomos ao encontro da grama macia e gelada, sentados sobre ela e iluminados intensamente pelo luar, pudemos trocar beijos, parecendo para quem passava uma libido exagero, pobre dissídio deles.

Deitados, deixávamos as palavras escorrerem pela boca, sem muitas chances de correção, ou observação. Ele me olhara, com seus olhos castanhos escuros, profundamente, me deixando curiosa para saber o que ele iria me dizer, valendo ressaltar que suas expressões estavam quase risíveis.

- Você parece querer me dizer algo, o que houve? – eu estava com um olhar parcialmente preocupado

- Não é nada, quer dizer, nada demais. – seus olhos se fecharam de relance

- Por favor, seja o que for me diga logo, você está me assustando. – meus olhos se encheram de lágrimas.

- Eu te amo.

- E o que mais? Não pode ser por isso que você está preocupado e aflito.

- Eu não quero te perder, não quero nunca.

- Nem eu! Você sabe que é o amor da minha vida, mas, por favor, me diga o que está acontecendo. – uma lágrima rolou lentamente por minha face, mostrando a ele que eu estava realmente preocupada.

- É que meu pai está me forçando a viajar, no final do mês.

- Tudo bem, vá. Serão apenas algumas semanas não é mesmo? – eu sorri, tentando deixá-lo feliz

- Na verdade não, me desculpa mesmo Bi.

- Mas como não? Quanto tempo vai demorar essa viagem Theo? – enfureci por dentro

- Bem, não é exatamente só uma viagem. – ele fechou o rosto

- COMO ASSIM? Me conta isso direito, logo!

- É intercâmbio amor, no mínimo 6 meses.

- Você quer ir?

- Mas é claro... Que não! – ele me assustou por um momento

- Então não vá.

- Não é simples assim Bi, com essa viagem eu garanto um emprego dos bons aqui e ainda me especializo em várias coisas, não é só um curso de idiomas lá fora, me desculpe, eu quis contar antes, mas não tive coragem! – uma lagrima também rolou pelo seu rosto

- E quis escolher o momento mais bonito que tivemos até agora, e estragá-lo?

- Não foi intencional, mas eu vou viajar no final do mês, e não dava pra adiar mais!

- Por favor, eu preciso ficar sozinha! – soluçando de tanto chorar, me levantei e corri sem direção, esperando ficar perdida para sempre

continua...

4 de set. de 2010

indiferente

---------x para cada um que lê, um tipo de interpretação.

Havia uma crônica em seu pensamento, seu cenho franzido e seus olhos curtos, agitados. Perseguia tudo e todos, cada movimento sem faltar nenhum detalhe, se o perdia corria pra vê-lo e detalha – lo em sua mente. Desastrosamente deu-lhe com a cabeça em uma árvore, tantos movimentos ríspidos não poderiam resultar em coisa boa, mas é claro que não.

Desacordada por algum instante extenso, muitos rodavam e continuavam a rodar ao seu redor, e nada acontecia nada mais que ignorarem-na ali, exceto por um incrivelmente belo e esbelto, ao mesmo tempo forte e sofisticado, bem arrumado e elegante, simples. Parou, hesitou por um pequeno instante, observou, rondou e rondou inúmeras vezes, ajoelhou, perdeu-lhe o tempo e a segurou pelos braços, colocou - na em um banco próximo, tentou medir sua pulsação, entendia pouco de medicina, viva.

O que aconteceu entre aquele momento e o seguinte é curto, indiferente, pouco importante, o que vem a seguir talvez deva interessar mais a quem lê. Seus pés pareciam mais pesados e ela podia sentir o chão, seu corpo estava firme e sua mente reposta e descansada, arrumou-lhe o cabelo e deu a mão a aquele belo rapaz, pouco o conhecia e isso pouco importava naquele momento, no fundo, o que ela queria era sair dali.

29 de ago. de 2010

recém chegada

Ela estava à procura de uma direção nova, talvez uma nova estrada sem buracos ou uma cheia de terra e muitas, muitas flores ao redor.

Seguia com passos leves e vagarosos, mas com sede de viver – enorme. O sol brilhava e irradiava seus olhos, mostrando muito amor pra dar e busca pela felicidade. Me entende?

Passou a acelerar um pouco o corpo a frente dos passos, tentando enxergar o futuro, o próximo, nem tão próximo assim. Demorara um bom bocado pra chegar ao destinado concluído, selecionado. Seus longos e esvoaçantes fios louros percorriam sua face, sem deixar muito pra se ver, o piscar de seus olhos azuis-piscinas e seu sorriso alinhado, bem cuidado e branqueado, tudo isso simbolizava o quanto ela conjecturava o que viria.

Finalmente chegou onde queria. A cidade não era muito grande, mas parecia ser muito bem habitada – seus olhos se encheram ainda mais de esperança – encontrar o que ela queria podia ser fácil ou difícil, ela fazia essa escolha.

Ao encontrar sua nova residência, pouco espaço, mas aconchegante o suficiente para ela e futuras visitas, ou moradores? Ela não sabia, era longe demais pra prever, ir devagar era uma das suas qualidades, mas não devagar demais, não pense que ela é tipo moda antiga ok. Tudo muito ajeitado, sua cama possuía uma cabeceira incrivelmente patinada, e uma flor central. A luz que entrava pela janela lhe lembrara suas ultimas férias na praia, refrescante e sem precedentes. Arrumou suas roupas e saiu para passear, a rua era calma e pra sua felicidade generosa, havia uma sorveteria logo no final dela.

Entrou, hesitou por um segundo – estava em pé em frente a porta, com seus shorts jeans curtinho, chinelo trabalhado e uma camiseta qualquer, óculos de sol e ajeitando o cabelo – seguiu. Foi até ao balcão, “um picolé de abacaxi, por favor” e só depois disso percebeu quão belo era o atendente que estava pronto para pegar seu sorvete, hesitou novamente, dessa vez mais rapidamente e o encarou, de forma suave. Sentou em uma mesa no quanto, porém próxima ao balcão, aproveitou a situação para escutar alguma música em seu IPod. Voltou ao balcão, dessa vez ao caixa, e pagou pelo sorvete e pediu uma água, do tipo trincando, o calor estava insuportável, realmente.

Terminou seu passeio por adiante em umas lojinhas pequenas, e voltou para casa, sabia que seria um ótimo lugar pra morar e mais, teria uma visita constante, se dependesse dela.

23 de ago. de 2010

Era pra ser inesquecível, forte e marcante. E fora maravilhoso, incomparável, menos pra ela. Lágrimas sobre seu vestido balonê, a maquiagem subitamente borrada e os pés cheio de calos, as unhas descascadas e mal feitas, o cabelo preso de qualquer jeito e o perfume, parecia vencido. Para todos seria o melhor dia de suas vidas, mas para ela, fora apenas mais um.

21 de ago. de 2010

culpa? insignificante

Devo-lhe perdão por ser tão incontrolável, principalmente recentemente, que tenho sido deselegante de forma mal educada. A sobreposição dos fatos em minha mente tem ficado um pouco embaralhada, de forma que só tenho conseguido fazer/ser uma coisa por vez, não pude conciliar ser fofa com pensar, perdoe-me novamente.

O fato de brigar com milhares de pessoas, por uma única e singela força de pensamento minha, só minha, e querer ir contra tudo o que todos dizem isso tem me feito muito mal, mas fazer o que, eu sou covarde, eu não sei mudar, ego.

Desprovida de informações frescas, com a mente fora da realidade e apenas tendo uma ideia fixa sobre o que estava ao meu redor, chega de devanear, vou explicar.

Lembra-se do dia em que saímos indiretamente juntos? Onde mais algumas mentes no acompanhavam, por um pequeno passeio por aí? Pois então, foi nesse dia em que você me disse algo estranho, talvez comprometedor de alguma forma, me lembro claramente na sua voz aguda, porém adocicada me balbuciando palavras conjuntas, formando um contexto brusco demais pra digerir rapidamente. “Não há nada que me faça mudar de ideia, isso é fixo em mim, eu quero você muito mais do que quero continuar vivendo! Tem noção do que isso possa significar?” e eu soletrei lentamente, não querendo ser rude, mas simples e direta “Não faço ideia.” E dessa maneira foi como continuamos até hoje, esse exato momento, que você sentou em minha frente e segurou meus dedos, juntamente com a minha mão, morna nesta exata ocasião, em que você pedia pra eu ser menos rude contigo.

Só lhe dou um ps.: eu sou assim, o jeito como eu faço ou encaro as coisas é relativamente divertido – no meu ponto de vista, é claro – mas posso imaginar que te faça sofrer, um bocado que seja. Peço-lhe perdão novamente, ridiculamente idiota, eu sou. Sinto-me culpada, mas não estou mal por isso.

15 de ago. de 2010

orgulho, eu e você

Eu esperava ansiosamente por um abraço, por um oi ou qualquer aceno disfarçado, não me importaria, receber já me faria sorrir. Eu olhava por entre os fios mais longos da minha franja, que caia sobre meus olhos, aquele lindo rosto retangular, com o cabelo mel acastanhado, os olhos quase verdes e os dentes modulados por aparelho.

Algo o impossibilitava de vir até mim, mesmo que eu soubesse que ele desejava, era algo mais forte que sua tentação e o cobria distante de mim, camuflado por amigos e meninas, odeio-as. Um impulso me fez avançar, senti meus pés leves, porém dominados por algo, que me levavam até lá, e por uma força extraordinária que eu não sabia qual era e de onde vinha – vinha de dentro de mim, mas não sei especificamente de qual lugar, se era do meu coração, ou da minha razão – eu empurrei uma delas, e a fiz derrubar os livros por todo o chão, e de forma deselegante, saí de lá.

Enquanto o Sr. Helkem dava sua aborrecedora aula de História, eu pensava no que teria o feito parar do outro lado do corredor e não vir até mim, qual seria o motivo pelo qual ele não me cumprimentou, ou simplesmente acenou. Poucos 5 minutos antes do fim da aula e do agradável, porém ensurdecedor som do sino, eu entendera o porquê de tudo, agora simplesmente fazia sentido. Levantei-me, fui até o fim da sala e, fazendo a porta do armário ranger sem querer para abrir, peguei o dicionário e procurei.

orgulho s. m. 2. Soberba ridícula.

O que o fizera ficar lá, ridiculamente parado ao lado de seu armário, era nada mais do que orgulho. Estúpido, imbecil, fútil, intolerante, imoral. De maneira alguma ele merecia meu descontentamento, ou qualquer coisa que viesse de dentro, ou pulasse pra fora, de mim. Ele estava simplesmente sendo retirado de dentro de meu sentimentos, mentira. Eu o amava, o suficiente pra não esquecê-lo. Tola.

14 de ago. de 2010

era tudo em minha mente

Eu precisava de um tempo pra processar todas as informações recentes, os desacordos e as idas e vindas feitas. Necessito de um tempo para realizar – pensei.

Quando eu me sentara no extenso e aconchegado gramado, com uma fina camada que ainda restara do orvalho, eu me lembrava da sua imagem, como um espaço vago e intolerável no meu coração, uma memória sem força, uma fina linha destruída.

O céu estava consideravelmente bonito naquela tarde, o sol não brilhava tanto, as nuvens brandas e deformadas o cobriam, mas não o impossibilitavam de chegar até mim, por algum raio fino, curto.

O nosso último momento cercava meus pensamentos. Seu toque, seu cheiro, o sabor incontestável do seu beijo, o abraço confortante, sua voz invadindo meus ouvidos, era tudo em minha mente, e de lá não sairia jamais.

Mas como nem tudo é perfeito, eu infelizmente me lembraria da parte ruim de tudo isso. Você deixando uma única densa e salgada lágrima escorrer pela minha quente e avermelhada bochecha, o último selar dos nossos lábios, você dizendo que não queria, mas teria de partir. Isso só fez com que mais lágrimas rolassem pelo meu rosto, incontroláveis. Perdoe-me por amar você.

12 de ago. de 2010

saia rodada e uma noite longa

Tinha os cabelos louros e os olhos azuis, os cílios compridos e alinhados, simétricos. E ele? Não havia ele, era apenas ela, sem mais. Sorria pro espelho e ele retribuía, educadamente, como ela, ajeitada os cantos do lábio, que tinham excesso exagerado de batom vermelho queimado, deixando uma marca de batom no pequeno estilhaço do vidro, ajeitando o salto e desarmando a saia, seguiu. Aquela noite era dela, deveria ser.

Descera a escada caracol até a porta de sua casa, preparava-se no carro e dava sempre uma ajeitadinha na maquiagem, mas sem permiti – lá à defeitos, não suportava defeitos, inadmissíveis, presentes.

Entregou seu ingresso ao segurança que mantinha a porta alta, e com uma maçaneta bronze quase escondida, permaneceu ali por um segundo, esperando olhares, sempre os recebia.

Ela estava sozinha e não tinha medo disso, esperava até que a olhassem mais por isso, seduzia os garotos com seus quadris alongados e suas pernas à mostra, seus olhos brilhavam feito luar, e não era só de felicidade, era maquiagem, das boas. A noite era aquela, o momento não sabia, mas seria extenso.

8 de ago. de 2010

seu inferno particular

Sentada no canto do cômodo, com a luz apagada e o breu contendo sua alma, seu rosto estava quente e avermelhado, entretanto, suas mãos estavam frias e soadas, o lápis que ainda restava em seus olhos, estava borrado, seu cabelo estava desarrumado e seu moletom, molhado pelas lágrimas salgadas que nele respingavam, estava abraçando suas pernas, tentando esconder um pedaço de seu rosto.

Um pedaço de seu coração estava partido, e o outro nem existia mais, era como se ele fosse um papel de seda, muito fino e delicado, qualquer movimento brusco ou uma ação descuidada o rasgaria, é como ela sentia seu coração, rasgado ao meio.

Dentro de seus olhos era possível enxergar sua alma, vazia e solitária, pedindo socorro. Seu corpo estava fraco, ela não comera a dias, seus pais nem se importavam, pensavam que aquilo era completamente normal pros seus atuais quinze anos.

Nem ela mesma sabia que poderia sofrer tanto por alguém, como estava sofrendo, era simplesmente desencorajador pra si mesma, ela não tinha vontade de nada, à não ser chorar. Seu coração queria gritar, queria parar, mas não podia.

O dia sempre acabava com o por do sol e a rotineira manhã na escola, e a tarde o mesmo canto, os mesmos pensamentos, a mesma cena, e isso se repetia ao longo do ano, sem fim. Era seu inferno particular, devia admitir.

3 de ago. de 2010

sem exceções, era ele

Eu queria poder mandar em meu coração, coordenar meus sentimentos e seguir meus sentidos racionais, mas não era possível, infelizmente. Eu acordara mais cedo do que o despertador me faria levantar, estranhei. Abri a porta do meu banheiro tentando não fazê-la ranger, como era de costume, umedeci meu rosto com água morna que vinha corrente pela torneira que simbolizada Q. Fui até minha estante, eu largara meu notebook ligado durante a madrugada, provavelmente teria algumas mensagens por lá. Pensei que possivelmente teria algumas mensagens pra checar, mas não esperava por tanto.

Levantei a tela com cuidado, percebi que o volume do som estava mudo e abri as janelas que piscavam, agredindo violentamente minha visão, eu estava sem meus óculos, do qual eu era praticamente inseparável. Havia uma janela que me chamara mais atenção que as demais “Luiz diz...”, foi então que cliquei sobre ela e percebi que eu deveria sentar, pois demoraria um bocado pra ler. Eu estava um pouco magoada, comigo mesmo talvez, eu não sabia o que possivelmente ele poderia ter escrito, poderia estar até mesmo me xingando, pelo fato de eu ter passado reto por ele e sem querer, quase querendo, dei com a mochila em seu estômago algumas horas atrás, na escola.

“Fer, eu queria poder estar em sua mente pra entender o que se passa nela, sério! Desculpa-me por simplesmente não ser o cara perfeito e ignorar seus sentimentos, eu só não queria te magoar antes de ter certeza do que eu sentia por você e pela Ju, e hoje eu tenho certeza, eu pensei pela madrugada inteira, e dormi muito pouco, apenas pra conservar a beleza haha. Eu queria conversar com você, a sós, hoje na escola! Se você puder me encontrar depois do último sinal, atrás da terceira árvore do pátio, me manda uma mensagem, e se não puder, simplesmente não mande, eu vou entender perfeitamente se não quiser. Até mais, beijos.”Eu o encontraria, eu realmente precisava escutar da boca dele, qualquer sentimento que fosse, seja por mim ou pela Juliana, eu queria mesmo tentar colocar um ponto final nesse nosso rolo amoroso que não é tão amoroso como deveria. Eu tinha um complexo terrível por querer sempre que as coisas tivessem um fim, porque eu sabia que era pra ser assim, desde pequena. Eu me vesti como todos os dias e coloquei o meu jeans skinny meio rasgado no joelho, a camiseta da escola e um suéter azul marinho com um emblema americano no canto esquerdo, sobre meu peito. Fiz o make simples que eu havia inventado no começo do ano letivo, e peguei meu material.

Após aguentar as mesmas irritantes e tediantes aulas de sempre, fui ao encontro tão cobiçado com Luiz, nós conversamos muito, com direito a palavrões, choro imediato e carinhos. A emergente e mais recente memória que eu tivera era de um beijo profundo, quente e carinhoso, que não abria exceção para comparações, era único, era dele.

2 de ago. de 2010

obrigada por me confortar

Era uma noite muito fria, eu não sabia ao certo o que fazer. Eu estava encolhida no canto do sofá, em frente à lareira tentando aquecer meu corpo, de qualquer forma. Eu não estava tão bem vestida, de acordo com o clima, e graças a isso eu tremia, como se estivesse com medo de algo por fora da janela, coberta com a grande e pesada cortina marrom aveludada que minha mãe havia ganho de presente de meus avós, falecidos.
Meu corpo sentiu uma sensação horrível, e um arrepio solene, eu estremeci meus lábios e segurei meu celular - depositado em minha mão esquerda, sobre o peito - com mais força.
Quando fechei os olhos, na esperança de passar aquele insípido frio, senti uma vontade imensa de chorar, aquele choro que dá dor de cabeça, que franze os olhos e você sente até o fundo de sua alma doer, mas algo diferente, pelo qual eu não esperava, chamou minha atenção. Meu celular tocou.
- Alô?
- Oi Marrie! - era a voz doce e suave do Simon, para a minha surpresa.
- Tudo bom?
- Tudo e você? - eu estranhara o motivo da ligação dele.
- Também!
- Por que você tá me ligando? só por curiosidade mesmo. - eu gargalhei.
- Eu tô morrendo de frio e tô aqui na porta da sua casa.
- O que? - por um momento eu hesitei.
- Você pode abrir a porta pra mim? Eu não vou tocar a campainha porquê já está tarde..
Eu andei até a porta, lentamente, pelo fato de minhas pernas estarem cambaleando. A abri e ele realmente estava lá, parado em cima do tapete verde musgo com um desenho floral, com o celular em sua mão. Nós entramos e sentamos em frente a lareira, quietos. Ele me encarou e eu o fiz de volta, ele se aproximou e eu repeti o gesto, mas era muito estranho ele estar em minha casa às duas da manhã, num sábado gelado como aquele.
- O que você veio fazer aqui, afinal?
- Eu precisava de um abraço seu, pra dormir confortado, e antes te liguei pra ouvir sua voz e me sentir mais calmo, eu briguei com os meus pais e vou dormir na minha avó, que é a uma quadra daqui, você sabe.
- Tudo bem, então acho que é melhor você ir, ela deve estar te esperando.
- Não me quer por aqui? - ele fez um gesto triste e melancólico.
- Quero, quero muito. Mas meus pais, seus pais, sua avó, acho que não é certo você ficar aqui agora, só isso.
- Eu já estou indo, fica tranquila. Eu só acho que você podia demonstrar mais compaixão por mim, eu poderia ter ido na casa de qualquer outra pessoa e pedido abraço à ela, mas eu vim aqui e pedi a você. - ele foi realmente muito fofo.
- Mas você só veio aqui, porque é perto da sua avó. - eu quis irritá-lo.
- Não, eu vim porque te amo!
Eu o abracei e o acompanhei até a porta, eu sabia que dormiria bem aquela noite.

1 de ago. de 2010

sob a cama eu permaneci pra sempre

Ela andara, percorrendo ao todo três quarteirões, pequenos e quadrados, desviando de árvores plantadas pela calçada. Chegara até uma farmácia e comprava vários remédios, todos lhe estranharam por isso, mas ela apenas dizia que era à pedido de sua mãe. Chegou à sua casa, fechou-se em seu quarto. Jessy abrira um documento novo no Word, e começara a escrever intensamente, mas sem saber o que, ou se fazia sentido.

“Hoje eu quero te dizer, quero esvaziar pra fora do meu peito a sensação desgastante de te amar incondicionalmente, acima de qualquer coisa, e não estou dizendo isso da boca pra fora. Eu realmente estou me cansando de passar todas as minhas noites em claro molhando meu travesseiro, tendo que gastar quilos de corretivo na manhã seguinte só pra uma tentativa – falhada – de esconder minhas olheiras.

Você é um idiota, mas é lindo, tem os cabelos louros mais lindos de toda Sealth High e vizinhança, os olhos azuis mais parecidos com o oceano, a pele mais lisa que pêssego e o sorriso mais cativante entre todos que eu já avistei. Mas você é arrogante, imbecil, mal educado e se acha muito superior a todos que o cercam. Você tem as roupas mais bonitas e bem escolhidas, como se fosse sua mãe que experimentasse por você e te entregasse na saída do provador. Você é um conquistador barato, e joga seu incrível e viciante charme para todas que quiserem tentar (lê-se serem enganadas).

Eu não tenho muito que lhe dizer, a não ser o quanto eu sou apaixonada por você, eu não subestimo meu sentimento, nem a ponto de compará-lo com o qual eu sinto pelos meus pais, eles não chegariam ao seu pé, quer dizer, eu não os amaria tanto como amo você! Hoje eu sei que quando se ama alguém com todas as suas forças, você está pedindo uma sentença de morte, sem hesito.

Eu não lhe agradeço por existir, pelo contrário, eu preferiria nunca ter visto você, nunca ter me apaixonado intensamente e irrevogavelmente por ti. E a infeliz situação de você não sentir absolutamente NADA por mim, me enlouquece. Eu não me importaria se fosse ódio, raiva, nojo, ou qualquer sentimento avesso ao meu. Mas eu queria, queria muito que você pudesse saber quem eu sou, e o que eu sinto por você.

Escrevo essa carta pra deixar claro à todos, ou ao menos aos meus pais que não tenho mais forças pra simplesmente nada, e que se o mundo desabasse e eu estivesse em baixo, não seria problema algum, eu estaria agradecida de salvar algumas pessoas, que possivelmente poderiam estar em meu lugar. Então eu lhe peço, se um dia você ler essa carta, não me odeie por não ter lhe contado nada, eu sei que você não sentiria nada por mim, nem ontem, nem hoje e nem amanhã, se o amanhã fosse existir pra mim. Adeus.”

Ela estava segurando uma garrafa comprida de água, tomou todos os comprimidos que havia comprado mais cedo, misturando milhares de componentes fortes e os colocou sobre a mesinha de cabeceira, pegara uma tesoura afiada que sua mãe usava pra costura.

A carta estava impressa e dobrada em várias partes, ela a segurava com muita força. Todos nós sabemos o que aconteceu após isso. Os pais de Jessy encontraram o menino pelo qual ela era apaixonada e o entregaram a carta, no fundo, eles sabiam que ele não tinha culpa de nada, só lamentariam pelo resto de suas vidas uma perda tão próxima.

30 de jul. de 2010

insatisfação virtual

por não ter mais o que fazer, ou querer sempre mais, está ai
http://happylucidity.tumblr.com/

eu dormi sonhando com você

Eu estava com o rosto colado à janela, minha respiração lenta, porém ofegante deixava-o embaçado. Eu estava observando o tempo, calculando qual seria a roupa apropriada pra vestir naquele sábado, no qual como sempre, eu aparentava frenesi.

Enfiei-me dentro de um vestidinho bege pálido, com três camadas, dando aparência de ser um saião, havia um cintinho marrom bem fino que o acompanhava, eu o amarrei na cintura, coloquei um peep toe marrom escuro aveludado (eu era bem baixinha, precisava de um incentivo para parecer maior, como sempre), terminei o make e joguei o cabelo pro lado, eu estava um pouco atrasado, mas isso era totalmente comum, e normal.

Cheguei ao Outback, os meninos e a Bianca já estavam lá. Cumprimentei todos, e me sentei ao lado do Guilherme e do Gabriel, pensando em dar lugar às meninas ao lado da Bi. Os minutos passavam vagarosamente no meu relógio de pulso, pareciam até seguir as batidas do meu coração, sem pressa.

As pessoas foram chegando a medida que o tempo começara a desejar se mover mais rapidamente, enfim, Pedro chegou. Ele cumprimentou a todos, sem exceção, antes de mim e parecera reservar o melhor beijo por último, “talvez seja o melhor beijo que ele deu, entre todas na mesa, mas fora no rosto” isso se passava demasiadamente em meu pensamento. Mas não se passara de mirabolantes ideias, ou pensamentos insanos.

Todos nós rimos, comemos e bebemos à gosto, de modo que não chegaríamos jamais, com fome em nossas respectivas casas. No final, alguns estavam meio desarmonizados com o cansaço, mas não deixei passar a chance de poder me acolher em seus braços, mesmo sabendo que poderia ser em qualquer abraço de lá. Não seria pra me gabar, ou tirar proveito, mas realmente todos os meninos que estavam conosco, já haviam pedido ou tentando, ficar comigo. Entretanto, eu realmente só queria os braços finos, e ao mesmo tempo calorosos e receptivos de Pedro.

Ele tinha os mais belos castanhos fios de cabelo, os olhos quase verdes bem arredondados, a boca perfeitamente em forma de coração, e o nariz levemente arrebitado. Estava usando as roupas mais fofas entre todos que nos acompanhava, pelo menos, eu acho.

Eu pegaria carona com a Bi, fora o que eu havia combinado, mas devido as circunstâncias dela levar o resto das meninas e o fato de eu morar totalmente fora de caminho, eu acabei tendo que ir com os meninos, no carro do Pedro. Seu pai fora extremamente educado, assim como o filho era comigo. Eu havia chegado em casa, muito bem por sinal. Todos me falaram tchau educadamente, pendurando seus lábios em minhas bochechas nem tanto rosadas, mas o último era simplesmente inesquecível, como sempre, eu dormi sonhando com você.

26 de jul. de 2010


life is about trusting our feelings and taking changes, losing and finding hapiness, appreciating the memories and learning from the past

24 de jul. de 2010

miss u, miss ur smile

A pior coisa pra se sentir nas férias bate forte em mim, a saudade. Eu simplesmente não sei o que fazer com isso, meu coração se sente tão apertado, como se meus órgãos tivessem o comprimindo. Eu só queria poder tirar isso de dentro de mim e aceitar facilmente, mas é como se eu pedisse pra não morrer, é algo que querendo, ou não, acontece.

Por mais que digam que a saudade é a prova de que valeu a pena ou que amamos alguém, não dá pra, do nada, engolir isso facilmente. É como se você pedisse pra nada de ruim lhe acontecer, é como se nada pudesse parar isso. Terrível, incomparável, ruim, doentio. Não tem nem palavras pra descrever a cabulosa sensação de morrer de saudades de alguém, tá eu usei uma hipérbole agora, não se tem como morrer de saudade de algo ou alguém, mas é como se fosse.

Agora, mais do que nunca eu só queria atravessar todas as ruas que nos distanciam, e te abraçar, com todas as minhas forças, não te largar nunca mais, simplesmente viver com você, de qualquer jeito, para sempre.

Eu não tenho muito que dizer, eu sinceramente só queria deixar escrito, em algum lugar por ai, que eu preciso curar essa dor, e dói demais. Só queria poder ter você aqui, agora. Amo você mais que tudo.

23 de jul. de 2010

no campo

Eu passeava por entre as flores mais coloridas do campo, havia rosas, jasmins e os que mais me chamavam atenção, girassóis. Era de tarde, o sol estava muito forte e meus olhos ardiam ao tentar erguer a cabeça. Ao longe eu notava vários trigos, balançando com a força do vento, e por entre eles eu avistava alguém, não pude reconhecer, estava de roupas escuras, porém, aparentava ser um menino.

Por um momento, hesitei, recuei e pensei até em voltar. Mas ele não mostrava ser ruim, na verdade, parecia até que estava fazendo o mesmo que eu, procurando um lugar pra sentar, pra pensar ou simplesmente passar o tempo. Nós trocamos alguns olhares mais de perto, ele vestia roupas escuras, entretanto, estava muito bem arrumado, parecia ter saído de um encontro, ou talvez estivesse indo pra um. Ele usava uma camiseta pólo azul marinho com um coroa e duas espadas a atravessando, bem no canto esquerdo, em cima do peito, um jeans intermediário, não tão apertado, e um tênis muito bonito, refinado.

Nós ficamos mais próximos um do outro, eu pude sentir seu cheiro extremamente sedutor e seus cabelos estavam bagunçados, mas isso o deixava mais bonito. Ele sorriu e parou, eu fiz o mesmo. Nossos olhares se cruzaram mais uma vez e sentamos um ao lado do outro. “como você se chama?” ele começou perguntando e começamos um pequeno e breve diálogo, quando chegamos a parte dos elogios, ele simplesmente me surpreendeu: “eu estava indo à um encontro, ela era simplesmente A menina pela qual eu daria a vida, então eu a esperei por duas horas no banco do parque, foi então que achei o caminho até aqui, eu simplesmente queria chorar sozinho, sem ter meus irmãos ou meu pai pra enfatizar ainda mais meu aborrecimento. Foi então que eu cruzei com você, eu achei uma menina tão bonita quanto aquela de hoje cedo. Seu cheiro, seu rosto, seus olhos, sua boca, você simplesmente me encantou. Eu nunca havia acreditado em paixão a primeira vista, mas acho que posso dizer que acredito agora. Foi a melhor sensação da minha vida, você já sentiu isso?” e então eu chorei,me lembrei de como eu poderia ser feliz com alguém que me amasse assim, e lembrei do meu ultimo romance, nem tão agradável assim.

Eu o olhei por inteiro, e quando pensei em algo pra dizer, ele me calou. E não foi com o seu dedo indicador perfeitamente alinhado, ou com algum sussurro, fora apenas com a sua hipnotizando e deliciosa boca. Eu só queria poder encontrar um desses todos os dias.

14 de jul. de 2010

crescer, querido diário I

---x postagem dupla, com continuação.

Ela queria crescer, queria ser independente de seus pais e fazer tudo sozinha. Queria não ouvir mais broncas por não ter feito uma lição, queria poder pegar seu cartão de crédito na hora que a atendente do caixa perguntasse a forma de pagamento, mas ela sabia que demoraria um bocado pra isso acontecer.

Mas finalmente aconteceu, começou pelo menos, ela tinha 16 agora. Podia ir aos bares mais badalados da cidade, às boates mais lotadas, era tudo uma questão de impressão, ela tinha dezesseis, mas aparentava dezoito.

Quando somos jovens, sempre queremos aparentar mais idade do que realmente temos, é sempre bom, ajuda bastante pra entrar em locais digamos que “meio proibidos” pra nós, mas como sempre, conseguimos.

Ela sempre quis entrar naquele barzinho que o Pedro falava que era legal, mas ela não podia, então agora ela se arruma, coloca uma saia alta preta, uma regata branca e váaaarios acessórios, lota o rosto de maquiagem, muito blush, um traço forte de lápis e uma sombra mais adulta, e não tão feminina como costumava passar a uns meses atrás. Seca os lisos e pesados fios castanhos alourados, e joga o cabelo pro lado, ela agradecia por poder simplesmente fazer isso com seu cabelo, enquanto muitas de suas amigas teriam de passar chapinha, não que ela não passasse, apenas na franja é claro.

Os dias passaram mais rápidos e ela finalmente conseguia fazer o que queria, o que desejava, programa viagens para apartamentos de praia dos amigos, acampamentos, viagens pra fora do país, agora ela sentia mesmo na pele o que era assumir seus, no mínimo, dezesseis. Mas com mais liberdade, vinha também mais responsabilidade, ninguém pode negar que essa é uma idade perigosa e muito comum pra se pensar em sexo, mas isso não entrava na SUA cabeça, mas acredite, os meninos dessa idade pensam completamente diferente do que eles pensavam quando tinham um ou dois anos atrás, mesmo se fazendo de adultos, a moral ainda não existe na hora “H”.

Agora era diferente, ele a beijaria, seriam fofo e algum instante depois, a levaria pra cama, um descuido se quer e daqui a 9 meses ela não seria mais a mesma. Não posso negar e nem esconder, todos nós, a partir dos quatorze anos, já se imagina no exato momento, fala sério, nossos pais nos fizeram assim, uma hora ou outra, nós estaremos fazendo isso também, com a intenção voluntária, ou infelizmente, involuntária.

Não que seja obrigatório, não, muito menos necessário pensar nisso, se você nunca pensou, tudo bem, não se ache atrasado ou qualquer coisa do tipo, você está mais certo do que aqueles da sua turma que acham que tem idade suficiente pra levar alguém pra cama e depois que a engravidam, não se lembram do porque fizeram isso, é claro, esses são os mais ridículos de todos, não merecem nem lamentação, só tenho dó de como essa criança vai crescer.

Uma viagem longa pra fora de casa e por dentre apartamentos e casas noturnas de shows, ela crescia um pouco mais mentalmente, mas seu corpo também queria crescer. Seus seios pareciam maiores e ela achava necessário um novo tamanho de manequim, suas pernas se alongaram, seu bumbum já era mais do que palpável, para os meninos é claro.

Ela tinha um diário pessoal ainda, não sabia como se livrar daquele maldito caderno estilo americano com as linhas bem desenhadas, ela achava aquilo um pouco demais pra sua idade, mas continuava a escrever tudo, assim que encerrava seu dia, preparava-se pra dormir e antes mesmo de adormecer, não posso dizer que escrevia os melhores momentos, porquê talvez eles fossem ruins, mas escrevia os mais importantes pra serem lembrados sem se esquecer de nenhum detalhe:

“Querido, ou nem tanto, diário.

Hoje eu e a Megan fomos pra uma boate, lá era muito legal e tinha muitos meninos bonitos, acredite, eu não estou tão velha pra “paquerar” como dizem meus pais, eu só queria me divertir. Eu pedi uma dose de wisky e o rapaz que estava ao meu lado pediu uma também, juntamente com a minha, ele disse pagaria depois. Nós fomos dançar juntos enquanto a Meg estava encostada em algum lugar com o Billy. Nós dançamos e no final sentamos pra conversar no balcão, o nome dele é Simon e ele tem 17 anos, ele está na faculdade e trabalha no restaurante do tio em alguns dias da semana, até me convidou pra ir lá um dia. Isso me pareceu muito gentil e legal, vou contar do físico, e quuuuuue físico que ele tinha. Ele não era tão alto, devia ter entre 1,75 e 1,80, olhos verdes, cabelo castanho e muito bíceps, meu deus que braços eram aqueles? *-* Ele pagou nossos drinques e fomos pro hotel, a Meg ia pra casa do Billy hoje a noite, eu nem vou falar nada sobre isso, você já deve imaginar não é mesmo? Enfim, estava chovendo e nós não tínhamos muita opção, fomos na chuva mesmo, chegando lá ele me emprestou uma camisa dele e tomamos chocolate quente com chantilly, e que por sinal estava muito saboroso. O pior de tudo foi que depois do chocolate, eu fui ver o quarto dele, super arrumadinho, muito bonito e ele tem cara de bem estudioso, haha, mas eu me deitei na cama dele, estava cansada demais pra me manter em pé, e quando acordei, fui me lembrar de tudo: nós tomamos uma garrafa inteira de champagne, eu estava com muita dor de cabeça pra negar isso, e eu estava sem roupa, absolutamente sem roupa, se é que me entende! DDDDDDD: eu estou desesperada, não sei o que eu faço, eu não consigo me lembrar se ele usou ou não camisinha, eu não tenho o telefone dele, eu nem sei como cheguei até em o hotel e como estou usando um suéter preto e meu jeans quase favorito, isso era quase impossível de lembrar, eu já tomei remédio e estou esperar a camareira arrumar o quarto, eu vou pedir o almoço aqui mesmo, não estou com muita cara pra ir até o restaurante. Hoje a noite eu vou pedir pra Meg me acompanhar até o restaurante do tio dele e vou ver se o encontro lá, eu preciso falar com ele. E não posso negar, ele é realmente irresistível. Vou parar por aqui, antes que eu me lembre de algo que nem você deve saber, acredite, estou pasma até agora.”

11 de jul. de 2010

isn't correct

---x diálogo chato, meloso, triste e deprimente. É só um aviso, e mais nada.

Algumas palavras precisavam ser trocadas pra que, talvez, tudo ficasse correto. Ela estava debruçada em sua cama, olhando para o teto como se ele contivesse estrelas brilhando, pegou o celular em cima da sua mesa de cabeceira, digitou os números decorados à meses do celular dele e aguardou, leu novamente o que digitara, olhou pro botão “send”, e fez isso mais duas vezes, incompreensível e aflita. Não pode resistir, ela precisava tentar, ao menos uma ultima vez, mesmo que fosse em vão, todos merecemos tentar, isso é humano não é mesmo?

A chamada estava apenas começando, o celular dele vibrara em cima de sua cama, no hotel, ele estava lavando o rosto, enxugara o rosto e caminhara rapidamente até chegar lá, vira o nome dela no visor de seu celular, o segurou com força entre seus dedos alongados e finos, olhou uma vez para cada opção: “atender”, “ignorar”. E resolveu atender, ele no fundo, queria ouvir o que ela tinha a dizer.

- Alô?

- Oi, desculpa estar ligando, seria melhor eu desligar! – ela se agitou.

- Não, espera.

- O que foi?

- Você me ligou! Você quer falar algo pra mim, pode falar. – ele parecia compreender ela, ou pelo menos fingia muito bem.

- Não é nada, pode ir, mesmo.

- Fala!

- Olha, eu sinto muito a sua falta, eu preciso de você aqui comigo de novo, preciso de você me abraçando mais uma vez, dizendo que vai ficar tudo bem, mentindo ou me fazendo rir, eu preciso que você volte, eu NECESSITO de nós juntos novamente. – ela soluçava entre as palavras, e suas lágrimas começaram a pingar em sua camiseta rabiscada.

- Nossa, eu... – ele parecia mentalmente, e fisicamente assustado e sem ação.

- Espera! Eu não terminei ainda.

- Tudo bem, continue.

- Eu sempre gostei de você, desde o maternal, desde quando eu sentia dor de dente porquê eles estavam nascendo, desde que você jogava tinta em meu uniforme e não há razão maior pra você ficar perto de mim, do que eu precisar de você pra viver, pra ser feliz. Acho que, terminei.

- Me desculpe, eu não tenho o que dizer, de verdade.

- Não diga nada, simplesmente entenda e desligue em minha cara, seria uma atitude normal, eu entenderia.

Ela se levantou, sentou no canto do seu quarto, segurou o telefone com força, cruzou as pernas e as segurou, ela sabia que não adiantaria nada aquilo.

- Eu estou viajando daqui a pouco, chego ai de noite. Meus pais anteciparam a volta, eles têm um compromisso.

- Isso é bom, eu acho.

- Fique tranqüila, eu só lhe peço isso, por favor, se acalme. À noite eu falo com você, preciso fechar as malas, um beijo.

O telefone fora desligado, e as lágrimas chegavam até o tapete, dessa vez.

As horas passaram lentamente, o sol ia abaixando sua intensidade, até não ser visto mais, dando lugar a uma lua brilhante e redonda, bem no alto do céu.

Eram oito horas da noite, sua mãe batera na porta e a chamara.

- Desce que tem alguém querendo falar com você, rápido, e limpa esse rosto!

Ela não fazia idéia de quem fosse, limpou o rosto e desceu as escadas rapidamente. Abriu a porta e não encontrou ninguém, foi andando pelo jardim e viu alguém de costas, com um jeans bonito, tênis da Oasklen, capuz cinza. Foi até lá, com receio.

- Oi?

Ele se virou, a assustando. Sentaram-se sobre a grama fofa e gelada e se encararam por alguns segundos.

- O que veio fazer aqui?

- Eu vim conversar com você, acertar tudo entre nós, era necessário.

- Tudo bem, mas já é de noite e você acabou de chegar de viagem.

- Eu não me importo. – ele a beijou rapidamente pra calar qualquer palavra próxima.

- Por que fez isso, quer me ver sofrer mais do que já estou? – uma lágrima escorreu, involuntária.

- Porque eu gosto de você e eu também senti sua falta e meus pais não estão aqui, eu vim sozinho, eu pedi pra minha mãe, eu disse que havia milhares de problemas aqui e ela autorizou minha volta adiantada, pediu pra minha avó ficar comigo enquanto eles não chegam, eu vim por você, por favor, não fique brava, é bem típico seu. – ele limpara a lágrima dela.

- Eu não vou ficar brava, mas você se precipitou, isso foi errado.

- Eu não me importo, eu quero você e quero agora.

Ele avançou para beijá-la, mas ela recuou.

- O que foi? O que aconteceu dessa vez?

- Eu te amo, muito. Eu quero você, muito também. Mas eu não posso fazer isso de novo.

- Isso o que?

- Ficar com você!

- Mas por quê?

- Porque é sempre igual, a gente fica, você diz que me ama, eu fico esperando você e nada acontece. Você pede desculpas, eu aceito, digo que te amo, a gente fica de novo, É SEMPRE ASSIM, EU NÃO SUPORTO ISSO, NÃO QUERO ISSO PRA MIM.

- Mas você me quer.

- Eu quero, mas eu prefiro não te ter, a ter você assim novamente.

Ela se levantou, correu em direção à porta e a bateu. Foi para seu quarto e não fazia idéia do que estava acontecendo, não mesmo.